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BRASILEIRO PERDE A ESPONTANEIDADE E ALEGRIA DE VIVER COM AMIGOS NOS EUA.ENCONTROS TÊM QUE SER MARCADOS COM ANTECEDÊNCIA

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Dill Costa fala da reprise de ‘Rainha da Sucata’ e da vida nos EUA, onde vive há 22 anos

Por Gabriel Menezes

04/01/2026 06h55  Atualizado agora

Dill Costa em 'Rainha da sucata' e atualmente
Dill Costa em ‘Rainha da sucata’ e atualmente — Foto: TV Globo e Reprodução/Instagram
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No ar em “Rainha da Sucata” como Vilmar, Dill Costa lembra como foi fazer a novela, o seu primeiro trabalho no horário nobre da Globo:

— Eu estava fazendo um trabalho de teatro musical quando o diretor Jorge Fernando me assistiu e me convidou para um teste. Ir direto do teatro para a televisão é excitante e, ao mesmo tempo, assustador, por causa da visibilidade. Como eu vinha do teatro e da dança, eu tinha um corpo malhado, um perfil físico forte, e isso acabou fazendo parte da composição da Vilmar. Foi desafiador, porque na televisão tudo é muito menor. Eu saía do palco com toda a energia e a postura da atriz de teatro e ia gravar. Sempre batia aquele medo de exagerar, de ser caricata.

Ela conta como foi trabalhar com nomes consagrados da TV, como Paulo Gracindo, Regina DuarteGlória Menezes e Aracy Balabanian:

— Dava muito frio na barriga. São atores que eu endeusava. Eles foram muito gentis e pacientes. Lembro de uma cena com a Glória Menezes em que eu estava visivelmente tensa. O seu Paulo Gracindo veio conversar comigo e disse: “Olha, relaxa, se divirta. Você é uma boa atriz, não se preocupe”. Isso foi um presente.

Dill, que é casada com o americano Rafael Derrios, mora em Chicago há 22 anos. Lá, ela trabalha como professora de cultura, dança e movimento numa escola e, todos os anos, faz excursões com os seus alunos para o carnaval no Rio de Janeiro:

— A dança e a música sempre foram minhas parceiras profissionais. Quando me mudei para os Estados Unidos, continuei desenvolvendo meu trabalho na área. Mas o sonho de um dia retomar meu trabalho como atriz permanece. Em novembro, estreei um show que dirigi e coreografei, chamado “A Minha Alma é Ancestral”, que fala da cultura brasileira e da minha religião, a umbanda. Sinto muita saudade de atuar, de contracenar. A esperança de um dia ser convidada para um trabalho no Brasil nunca morre.

Ela fala sobre a situação atual da comunidade latina e de outros imigrantes na região em que vive:

— Os Estados Unidos são um país feito de imigrantes, mas esse povo nunca foi respeitado. Vivemos um momento em que parece que querem limpar o país de negros, latinos, imigrantes… É muito triste ver o que está acontecendo. Vemos os caminhões da imigração (ICE) rondando, e as pessoas se avisam em grupos de WhatsApp para não levarem os filhos à escola. As pessoas desaparecem de um dia para o outro. Eu não tenho esse tipo de problema porque sou cidadã americana. Mesmo assim, ando sempre com o meu passaporte e toda a documentação.

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Dill ressalta que sonha em um dia voltar ao Brasil:

— Aqui, tive que reconstruir minha vida. Sou eu e meu marido, que é daqui, e a família dele. Minhas raízes, minha família, meus amigos, ficaram no Brasil. As relações aqui são diferentes, mais individuais. Mesmo entre brasileiros, os encontros são marcados com muita antecedência. No Brasil, a gente liga e diz: “Estou passando aí em cinco minutos”. Aqui, você marca algo para daqui a um mês. É uma diferença cultural.