Aracaju, 18 de agosto de 2026

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Amor mantém a esperança da vida. Casal unido, para lutar contra um câncer e se casa no hospital, após 20 anos

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Denise Oliveira Faustino, de 38 anos, realizou o sonho de oficializar a união com José Augusto de Santana

Paciente com câncer se casa em hospital de Sergipe e realiza sonho após 20 anos de união

Cerimônia no Hospital de Amor, em Lagarto, mobilizou profissionais de saúde e familiares para oficializar a união de Denise e José Augusto antes de uma cirurgia.

Por g1 SE

17/08/2026 11h31  Atualizado há 27 minutos

  • A paciente oncológica Denise Oliveira Faustino, de 38 anos, casou-se com José Augusto de Santana na última sexta-feira (14). A cerimônia ocorreu no Hospital de Amor, em Lagarto.
  • Internada desde 2024 para tratar um câncer, Denise realizou o desejo após conversar com uma psicóloga. Ela foi batizada e casou-se menos de 24 horas depois.
  • O evento no civil e religioso contou com doações de voluntários, médicos e funcionários. A ação garantiu vestido, decoração e apresentações musicais para a celebração.
  • Após sessões de quimioterapia, Denise passará por cirurgia. A família busca na Justiça o medicamento pembrolizumabe, cujo custo varia entre R$ 18 mil e R$ 30 mil.
Paciente com câncer se casa em hospital de Sergipe

Paciente com câncer se casa em hospital de Sergipe

Após 20 anos de relacionamento e quatro filhos juntos, a paciente oncológica Denise Oliveira Faustino, de 38 anos, realizou o sonho de oficializar a união com José Augusto de Santana, de 37. A cerimônia aconteceu na última sexta-feira (14), no jardim do Hospital de Amor, em Lagarto, onde ela está internada. O vídeo do casamento repercutiu e emocionou internautas nas redes sociais.

“Foi uma emoção que a gente nem sabe como contar, um presente de Deus. Ela ficou bastante feliz e toda a família muito grata a todos que contribuíram de alguma forma para que pudéssemos estar ali”, disse o marido de Denise ao g1.

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A sergipana está em tratamento contra um câncer de colo do útero desde 2024. A ideia de realizar o casamento partiu de uma conversa dela com a psicóloga paliativista Aline Menezes de Araújo, que a questionou sobre os desejos que ainda gostaria de realizar.

Paciente com câncer se casa em hospital de Sergipe — Foto: Arquivo pessoal

Paciente com câncer se casa em hospital de Sergipe — Foto: Arquivo pessoal

“Denise disse que sonhava em se batizar na igreja e casar. Ela só não imaginava que, após a nossa conversa, eu procuraria o pastor e iniciaria, junto à família dela, um movimento para que tudo pudesse ser realizado”, contou a psicóloga.

Mobilização

O casamento no religioso e no civil aconteceu menos de 24 horas depois de Denise ter sido batizada. A celebração contou com uma rede de solidariedade composta por médicos, membros da igreja, funcionários do cartório e voluntários, que aderiram a um chamado da psicóloga nas redes sociais. Eles doaram o vestido de noiva, a decoração, apresentações musicais e os itens necessários para a cerimônia.

Paciente com câncer se casa em hospital de Sergipe — Foto: Arquivo pessoal

Paciente com câncer se casa em hospital de Sergipe — Foto: Arquivo pessoal

“Para toda a família foi marcante, muito especial. Foi inesquecível estar vivendo essa realização do sonho da nossa irmã. Em meio a toda essa situação e à dificuldade desse tratamento, ver que sonhos podem ser realizados nos dá firmeza na fé para acreditar que, se Deus permitir, outros virão”, declarou Fabiana Oliveira, irmã de Denise.

Segundo a médica paliativista Mirene Morais, que atua no acompanhamento da paciente, a celebração teve um papel fundamental no bem-estar de Denise diante dos desafios físicos e emocionais da doença. “A gente pode dar dignidade ao paciente, e isso é muito importante”, explicou.

Denise, marido e filhos — Foto: Arquivo pessoal

Denise, marido e filhos — Foto: Arquivo pessoal

Tratamento

A próxima etapa no tratamento de Denise, que já passou por sessões de quimioterapia, será a realização de uma cirurgia, marcada para esta terça-feira (18). Em paralelo, a família busca garantir o acesso ao medicamento pembrolizumabe (200 mg), indicado pela oncologista.

A família não tem recursos para arcar com a imunoterapia, que custa entre R$ 18 mil e R$ 30 mil, e deve ser utilizada ao longo de todo o tratamento, que não é ofertado Sistema Único de Saúde (SUS). No Brasil, nos últimos anos, milhares de ações judiciais foram movidas por pacientes que buscam acesso ao tratamento por meio de ordens judiciais.

“Esperamos conseguir o acesso ao remédio porque ele é uma esperança”, finalizou o marido de Denise.

O que diz o SUS

Em nota, o Ministério da Saúde informou que prevê iniciar até o final deste ano a distribuição de um medicamento da classe anti-PD-1, para o tratamento de primeira linha no SUS de pacientes com melanoma avançado não cirúrgico e metastático. A licitação já foi autorizada e as alternativas para essa indicação são o pembrolizumabe e o nivolumabe.

Além disso, o MS disse que a disponibilização da imunoterapia anti-PD-1 representa um avanço no tratamento de pacientes com melanoma avançado e amplia as opções terapêuticas no SUS.