Sindicatos

Trabalhadores contra venda da Companhia de Saneamento de Sergipe


Funcionários param Deso contra a privatização
Serviços administrativos estão suspensos nesta terça-feira
Os servidores da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) paralisaram os serviços administrativos nesta terça-feira, 11, e estão concentrados em ato público em frente à sede da empresa, na rua Campo do Brito, no bairro 13 de Julho em Aracaju. O ato marca a reação dos trabalhadores efetivos contra a iniciativa do Governo do Estado em incluir a Deso no rol das empresas estatais brasileiras prestadoras de serviços de saneamento e abastecimento de água que deverão ser privatizadas.

O Consórcio Sanear Brasil venceu o pregão eletrônico conduzido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) para realizar os serviços técnicos especializados para a estruturação de projetos de privatização da Deso. De acordo com informações do presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e Serviços de Esgotos do Estado de Sergipe (Sindisan), Sérgio Passos, semanalmente às terças-feiras, os técnicos do Consórcio Sanear Brasil estão se reunindo na sede da empresa para colher dados sobre a empresa, que vão nortear o diagnóstico que será apresentado ao Governo do Estado, seja pelo encaminhamento da privatização, pela busca de parceria público-privada ou ainda por uma concessão.

Os servidores, conforme o presidente do Sindisan, não aprovam nenhuma destas alternativas. Ele avalia que, deixando de atuar enquanto empresa pública, os serviços prestados sofrerão reajuste em função dos três impostos que serão agregados à tarifa. Enquanto empresa pública, segundo o presidente, a Deso é isenta destes impostos, mas quando caminha para a privatização, inclui-se a cobrança de ICMS, PIS e também Cofins. “Enquanto empresa pública a tarifa mínima é de R$ 33,00, mas temos informação que, quando privatizada, a tarifa mínima passa a ser R$ 99”, diz o sindicalista.

Sérgio Passos prevê reajuse de tarifa

Servidores se concentram na porta da Deso

Ele alerta que em muitas cidades europeias, a prestação de serviços foi privatizada e agora está passando por um processo de reestatização em função dos problemas. No Brasil, o sindicalista cita o exemplo de Itu, em São Paulo. “Em 180 cidades do mundo, as atividades foram privatizadas e agora os serviços estão sendo remunicipalizados porque as empresas não cumpriram o contrato”, destacou o sindicalista.

Governo

O Governo do Estado, por meio da assessoria informa que: “O que existe é um estudo feito pelo BNdES a pedido do governo federal que está fazendo o mesmo estudo em outros estados. Não há nada conclusivo nem o governo do estado sabe ainda o que vai dizer esse estudo. O governador Jackson Barreto mandou cancelar o estudo paralelo que o governo iria fazer e já disse em entrevistas que não tem a intenção de privatizar a Deso”.