Arte & Cultura

Prefeitos “matam” tradição nordestina


 

O governo do Estado mostrou que é possível fazer um forró bom, bonito, barato e nordestino, porque o povo vai e adora. As famílias voltaram a ser reunir na orla da Atalaia Velha. Crianças e velhos curtiram as quadrilhas juninas e grupos folclóricos. Está na hora do Ministério Público trabalhar e agir, para verificar se a contratação de artistas com cachês milionários, não é uma forma de roubar o dinheiro do povo. Alguns prefeitos justificam a incompetência gerencial pela falta de dinheiro, mas a grana aparece nestas festas? Que mistério é este?

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PCdoB, adora tocar zabumba e na juventude foi baterista e fez disso uma profissão dos onze aos 16 anos de idade, para pagar a pensão, que lhe garantia pousada, enquanto estudava. Edvaldo está sendo esculhambado nas redes sociais, com um vídeo em que aparece dançando e a letra da música repetindo mentiroso, mentiroso. Antes é colocada a falação do então candidato à Prefeitura de Aracaju, assegurando que o ForróCaju não terá solução de continuidade. Edvaldo não cumpriu a palavra e agora é execrado, por defender os interesses da capital, mas, também, principalmente por fazer como a maioria dos políticos: mentir para os sergipanos.

O forró é uma instituição sagrada para os nordestinos, embora tenha sido desvirtuado e hoje o transformaram num instante de muito barulho e mulheres quase nuas rebolando no palco. Se Luiz Gonzaga ainda fosse vivo morreria de vergonha, porque jamais se viciaria em músicas que só tem nome disso, por conta dos acordes, ou melhor bagunça, e letras de pura apelação, mas é disso que o povo gosta: ser enganado.

Parte do povo quer saber de badalação, um lote de espertos cantando e dançando e não de preservação das raízes, da história e de nossa cultura. Acabaram com o verdadeiro São João dos nordestinos, com a cumplicidade de parte deste povo bravo. Não há uma só autoridade que se insurja contra isso, porque teme perder voto. Não importa o que somos e como fomos formados, mas sim a garantia de uma nova reeleição. O povo quer o barulho e não está nem aí para ruas consertadas, postos de saúde com médicos e medicamentos, porque isso fica para depois e se tudo for piorando, se tem o que conversar no ponto de ônibus, na bodega, na fila do banco, no próprio posto sem profissionais e medicamentos. É bom que esteja ruim, para que possamos cada vez mais exercitarmos nossa veia crítica.

Embora tenha mentido para os aracajuanos, garantindo que faria o melhor Forró Caju de todos os tempos, caso eleito, o que foi, Edvaldo Nogueira acerta, quando opta por pagar aos servidores e executar os serviços que o povo quer e enfrenta a ira popular, por não fazer a festa que os bagunceiros querem.

Como brasileiro acorda e vai dormir ouvindo notícias de corrupção dos políticos, não faltam nas ruas, quem comente que Edvaldo não fez o Forró Caju, porque, para os empresários, contratar os verdadeiros forrozeiros o dinheiro é pouco e a “comissão” seria quase nada. Tem que ter muito dinheiro, para contratar bandas caríssimas, porque a boa parte desse dinheiro não vai para o artista, mas sim para os “artistas”, espertalhões, que adoram meter a mão no dinheiro público.

Edvaldo, segundo muitas pessoas comentam nas ruas, não faz o Forró Caju com artistas sergipanos, porque eles são contratados a preço de tomate estragado em época de boa safra, porque banana está muito cara, e não dá nem para ficar com uma parte, porque se o “cabra” tiver que deixar cair uma titaca, vai ter que trabalhar o resto do ano, para pagar aos músicos que o acompanham na jornada inglória de tocar por esmola, enquanto os milionários cantam e vão embora com quase toda a grana, porque parte fica com os envolvidos nos escândalos de corrupção na compra de shows. Muita coisa vai rolar nas ruas e avenidas. Quem sabe fazer forró com artistas sergipanos não fará com que as famílias voltem a se reunir na porta de casa, em volta de uma fogueira, comendo milho, batata, macaxeira, pamonha e outras iguarias que herdamos dos índios e africanos? Sem roubalheira e corrupção, podemos fazer o melhor São João com quadrilhas que não são aquelas que fazem a farra em Brasília com o dinheiro do povão.

Por Cláudio “Botafogo” Messias