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Polícia

Pesquisadores mostram em audiência na Alese que Sergipe é o Estado mais violento do país


Violência debatida no plenário da Assembleia Legislativa

“Lamentavelmente a realidade hoje no Estado de Sergipe é a pior dentro de todas as unidades federativas do Brasil. No Atlas da Violência produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Sergipe ficou como o mais violento”. A afirmação foi feita na tarde desta quinta-feira, 3, pelo pesquisador Daniel Ricardo Cerqueira, um dos autores da pesquisa.

Daniel Cerqueira e Samira Bueno apresentaram a pesquisa

Daniel Cerqueira e Samira Bueno apresentaram a pesquisa

Daniel Cerqueira e a socióloga Samira Bueno, foram os palestrantes da audiência pública com o tema: Atlas da violência 2017: Genocídio do povo brasileiro, realizada por meio da deputada Ana Lúcia Vieira (PT), no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), contando com a participação de representantes de várias entidades e da sociedade em geral.

O estudo destaca que mais de 10% dos homicídios do mundo acontecem no Brasil e que em Sergipe, a taxa de homicídios dobrou nos últimos meses. Ou seja, a taxa de homicídio por 100 habitantes cresceu mais de 77,7% entre 2005 e 2015, ocupando o maior percentual de crescimento da taxa em todo o país.

Socorro

Samira Bueno destaca soluções

Samira Bueno destaca soluções

Quanto à violência nos municípios sergipanos, em que a cidade de Nossa Senhora do Socorro, aparece como a mais violenta, Daniel Cerqueira ressaltou que a pesquisa foi feita nos municípios com mais de 100 mil habitantes. “Mas se for levar em conta outras cidades menores, temos cidades sergipanas com taxas altíssimas de homicídios”, explica.

“O nosso propósito aqui a convite da deputada Ana Lúcia, foi discutir um diagnóstico, esse drama que vivemos no Brasil, em que mais de 60 mil pessoas são assassinadas à cada ano. Viemos analisar esse quadro por várias dimensões, seja em relação a quem são as vítimas, se são jovens, pessoas de baixa escolaridade e pedir soluções que já foram implementadas e, outros estados e deram certo”, destaca.

Daniel Cerqueira disse ainda existir motivos para ter esperança. “isso porque várias experiências foram feitas em outros países e no Brasil, como uma refundação do trabalho de polícia, de prevenção social e utilização de métodos de planejamento específico”, diz.

Soluções

Representantes de várias entidades participaram da audiência

Representantes de várias entidades participaram da audiência

Sobre o que poderá ser feito para diminuir os altos índices de violência no Brasil, a socióloga Samira Bueno, ressaltou que o primeiro ponto é dar prioridade política para o tema, visando garantir o fim da violência no Brasil.

“O segundo ponto é a atuação de diversos atores, principalmente do governador. É importante sempre que o Executivo esteja à frente porque segurança pública é muito mais do que um problema de polícia. Existe uma série de mazelas sociais que fazem parte do nosso cotidiano e para enfrentar a gente precisa investir em políticas sociais e nas polícias, aumentando a capacidade investigativa das policias civis e a repressão qualificada por parte das polícias militares”, entende.

SSP/SE

Katharina Feitosa e Paulo Paiva atentos aos índices

Katharina Feitosa e Paulo Paiva atentos aos índices

A delegada geral da Secretaria de Segurança Pública de Sergipe, Katharina Feitosa, disse ter ficado feliz com a apresentação dos pesquisadores, apesar dos altos índices de violência em todo o país. “Fiquei feliz em perceber que muitas das sugestões e soluções que os senhores apresentaram, nós já estamos colocando em pratica aqui em Sergipe, entre 2015 e 2016 e os resultados nós estamos colhendo agora.  A partir do momento que os gestores macros começaram a tomar pé da situação e chamar pra si a responsabilidade, as coisas começaram a mudar”, afirma.

“Nós estamos trabalhando na questão do diagnóstico desde 2011. Hoje temos um estudo pronto que analisa todos os inquéritos de polícia, onde criamos um padrão para detectar qual a motivação desses homicídios. Antes a gente falava empiricamente que era a questão da droga, mas agora existe um estudo científico, por meio de dados estatísticos que comprovam a primeira motivação dos homicídios são as drogas. Os jovens e os que tem baixa escolaridade são os que mais morrem e os que mais matam em Sergipe”, completa acrescentando que em números absolutos não diminuiu as mortes, mas o crescimento foi estancado.

O assessor de Comunicação da Polícia Militar de Sergipe, coronel Paulo Paiva lembrou que o problema de combate à violência é de todos. “Violência e segurança pública não é um problema do Estado e nem das polícias, é da sociedade. Problema que todos nós construímos e precisamos nos responsabilizar em resolver, sem apontar o dedo em riste. Quando se traça o perfil dos que morreram e continuam morrendo vitimas dos homicídios, encontra o jovem, negro, pobre e sem acesso à educação, dando uma prova inequívoca de quão complexa é o problema da violência e a solução para a segurança pública. A polícia está nas ruas tentando aprimorar as suas ações. A droga é o flagelo desse século e nós precisamos estar do mesmo lado”, acredita.

Para a deputada Ana Lúcia, não adiantam ações episódicas em localidades consideradas violentas, mas de políticas articuladas. “A escola é o espaço possível que potencializa o processo de integração e articulação de domingo a domingo. Precisamos abrir a escola de domingo a domingo, com atividades de esporte, de lazer e de cultura”, enfatiza.

Mesa

A mesa foi composta pelos deputados Ana Lúcia Vieira, Pastor Antônio dos Santos, Maria Mendonça, Georgeo Passos, a  vereadora Kitti Lima, coronel Paulo Paiva (assessor de Comunicação da Polícia Militar de Sergipe), Katharina Feitosa (delegada geral) e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), Rubens Marques.

A audiência pública contou ainda com uma apresentação teatral de jovens assistidos pela Fundação Renascer.

Samuel discorda de pesquisa enfocando no título a violência policial

O deputado Samuel Barreto (PSL), lamentou que um dos tópicos apontados no Atlas da Violência 2017 em audiência pública, destaque no título “a violência policial”.

“A apresentação dos pesquisadores Daniel Cerqueira e Samira Bueno contribuiu muito, mas em um dado momento, focou-se muito na violência policial. Quando vai se falar em violência é como um todo. Quando citam que o Brasil é o país que mais mata, mas também é o país que mais a polícia está morrendo”, destaca.

Capitão Samuel afirmou que se pegar todas as mortes em confronto com a polícia, se percebe 1% vindas de policiais. “Em toda a categoria podem ser cometidos erros e policial não é um robocop, também erra um tiro e pode cometer erro. Nós vivemos em uma guerra. O Estado Brasileiro manda um policial para a guerra e não quer que tenha feridos? É preciso buscar resolver as causas sociais. A polícia está indo para a guerra colocada pela sociedade para tentar assegurar a todos os homens que não cometem delito chamados homens de bem, contra os que cometem delito, chamados marginais”, ressalta.

“A pesquisadora estigmatizou quando falou. Não colocou violência de um modo genérico envolvendo ações da polícia: policiais que são mortos, bandidos que são mortos pela polícia, erros da polícia em que terceiros morrem de bala perdida. A apresentação veio como violência policial. Aqui é o local de debates, de ganhar conhecimento e os meus 26 anos de experiência como policial me dá suporte para discutir com qualquer pesquisador”, enfatizou.

Pastor Antônio diz em audiência que em SE tiram vidas como se tomam celulares

O deputado Antônio dos Santos (PSC) lamentou na tarde desta quinta-feira, 3, a violência no Estado de Sergipe, apontada pelos pesquisadores  do Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea), Daniel Ricardo Cerqueira e Samira Bueno, durante audiência pública sobre Atlas da violência 2017, no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese).

“Nosso Estado é menor do que muitos municípios do país, mas infelizmente amarga um índice de violência altíssimo. Eu vim para essa reunião porque tenho esperança de ver nosso estado reduzir consideravelmente o índice de assassinatos e morte violenta. Fico imaginando o país com 210 milhões de habitantes e à cada ano, são mais de 60 mil pessoas assassinadas. Tira-se uma vida do mesmo jeito que se toma o celular, a bolsa”, ressalta.

Pastor Antônio acrescentou: “A vida perdeu o amor e matar não faz diferença. Infelizmente temos vivido essa dura realidade. Temos a esperança de que um cidadão olhe para o outro e entenda que ele quer continuar vivendo”.