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Nacional

Ex-ministro do TSE diz que Operação Lava-Jato tem que ter continuidade


O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e presidente do Instituto Brasileiro do Direito Eleitoral (Ibrade), Henrique Neves, foi o primeiro palestrante do Fórum Sergipano do Direito Eleitoral, aberto na tarde desta quinta-feira, 7 no auditório do Teatro Tobias Barreto.  A realização é da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), em parceria com a  União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais  (Unale).  Na ocasião, ele falou entre outros assuntos,  sobre a operação Lava Jato (investigações sobre crimes de corrupção, formação de quadrilha, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro).

De acordo com Henrique Neves, a Operação Lava Jato é importante, mas 73% dos inquéritos abertos foram arquivados.

“O Estado de São Paulo há um tempo atrás fez um edital muito importante dizendo que 73% dos inquéritos abertos na Operação Lava-Jato foram arquivados por ausência de provas. Só que esses 73% foram noticiados e todas as pessoas foram execradas e consideradas como envolvidas em corrupção. A Operação Lava-Jato é fundamental, ela é intocável, tem que continuar, mas ela decorre de algo que vem da democracia também, que é a transparência. Todos os atos sempre existiram, a diferença é que lá atrás ninguém sabia, ninguém denunciava e quem tentasse denunciar, tinha uma lei de segurança nacional, tinha uma lei de imprensa,  uma série de atos que abafavam e não permitiam a população de saber o que efetivamente estava acontecendo. Hoje nós não temos mais essas amarras, mas o fato de não termos mais essas amarras não é justificativa. O que a população tem que pensar é que não existe solução para a democracia sem a política”, entende.

Neves enfatizou que se alguns políticos cometeram crimes, que sejam condenados, “Agora eu não posso tirar um pedaço e condenar toda a classe. Fala-se que no Congresso Nacional 70 deputados estão envolvidos em denúncias e os outros 443 deputados que estão lá vão tomar a culpa por conta desses 70? Todo esse clima, toda essa situação fez com que o país entrasse numa discussão sobre o sistema eleitoral brasileiro, sobre a política brasileira”, completa.

Para ele, a política é o caminho mais viável se alcançar o avanço nacional. “Nós temos que achar os trilhos e colocar o país inteiro no rumo do desenvolvimento e da democracia através da política. Não existe outra solução”, entende.