Variedades

Ana Corte homenageada por assistentes sociais




Resistência e democracia: CRESS Sergipe presta homenagem a Ana Côrtes

Uma noite que marcou a história do Serviço Social sergipano, repleta de histórias e memórias de luta dos/as assistentes sociais em defesa da democracia. Assim foi a penúltima atividade da Semana do/a Assistente Sociais: o Ocupe a Praça Ana Côrtes, realizado pelo CRESS Sergipe e pelo Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira em parceria com o Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Sergipe.

A noite foi de homenagem prestada pelo CRESS Sergipe à assistente social Ana Côrtes, anistiada política que resistiu bravamente à ditadura militar nos tempos de chumbo. Ana recebeu das mãos da presidente do CRESS Sergipe, Joana Rita, e de seus familiares – sua filha Joana, seu filho Marcos e seu companheiro há 50 anos, Bosco Rollemberg – um troféu simbolizando o agradecimento de toda a categoria pela resistência e pela sua luta em defesa da democracia.

“Este é um momento ímpar: depois de muitos anos, em uma plenária repleta de pessoas – a maioria mulheres – colocar publicamente o que foi a experiência de sobreviver à ditadura militar”, destacou contando sobre a frieza daquele 1968, quando foi presa e torturada pelo DOI-CODI.

Em sua simplicidade de discurso, Ana revirou suas próprias memórias para contar a história da ditadura militar no Brasil e deu uma verdadeira aula sobre democracia e resistência. “O que fizemos de mal? Querer um país livre? Nós queríamos um Brasil democrático e justo, onde todos pudessem estudar, trabalhar e que respeitasse todas pessoas, resguardando seus direitos humanos” rememorou a homenageada, ressaltando que não podemos deixar que o país viva novamente momentos de tamanho desrespeito aos direitos fundamentais.

“Se hoje podemos estar aqui reunidos discutindo direitos humanos, é graças a pessoas corajosas e aguerridas como Ana Côrtes, que teve a coragem de enfrentar a truculência, a tortura e as restrições das liberdades individuais impostas pela ditadura militar. Muito obrigada, Ana. Você nos orgulha”, destacou  a presidente do CRESS Sergipe, Joana Rita, ressaltando que resistência é o mote da campanha da Semana do/a Assistente Social, e que Ana Côrtes é símbolo de resistência e motivo de inspiração de toda a categoria.

Durante a homenagem, três assistentes sociais que também cumpriram um papel histórico fundamental da defesa da democracia em Sergipe contaram histórias em que suas próprias trajetórias se entrecruzaram com a trajetória de Ana Côrtes. Elas destacaram o quanto Ana foi fundamental para a formação política de várias gerações de assistentes sociais sergipanas. Foram elas Maria da Conceição Vasconcelos Gonçalves (professora Lica); Josefa Ayres de Goes Santos, e Guadalupe Oliva.

“Você sempre transmitiu para a gente a esperança a luta e a persistência, coisa muito rara naquela época. Ana você só merece nosso aplauso e nosso reconhecimento”, parabenizou a professora Lica.

Roda de conversa

Direitos humanos, democracia, resistência, saúde mental, cinema, direitos da criança e do Adolescente. Todos estes temas estiveram na Roda de conversa: “Democracia ontem e hoje no bojo dos movimentos sociais”, que abriu a programação do Ocupe a Praça Ana Côrtes, na noite desta quarta-feira, 16.

Quem mediou os debates foi a assistente social Lídia Anjos, diretora de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal de Aracaju. Também compuseram a mesa de debate a presidente do CRESS Sergipe, Joana Rita, a assistente social e militante da luta antimanicomial, Iracy Rodrigues, a professora do DSS da Unit, Clara Angelica, o coordenador da Mostra de Direitos Humanos em Sergipe, Mário Eugênio e a deputada estadual Ana Lúcia.

Filme e show

Também foi exibido o premiado curta-metragem “Praça de Guerra”, de Edmilson Junior. O documentário relata a história da tentativa de organização de um foco de guerrilha armada na Serra do Capim-Açú, na zona rural de Catolé do Rocha, pequena cidade no sertão paraibano, nos anos de 1960. Passados mais de 40 anos, esses velhos amigos, se reencontram para contar essa história.

A noite chegou ao fim ao som das canções que resgatam a identidade e a história do povo brasileiro, conduzidas pela banda Samba do Arnesto.

Sobre Ana Côrtes

Ana Côrtes, foi presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Serviço Social em 1967, graduou-se na Faculdade de Serviço Social em 1968, viveu na clandestinidade como operária metalúrgica em São Paulo e na zona canavieira de Pernambuco de 1969 a 1974; foi presa política no DOPS em Recife 1974; foi presidente do Sindicato das Assistentes Sociais , membro do Conselho Fiscal do Conselho Federal das Assistentes Sociais e Secretária de Assistência Social em 1986 e 2002 na Prefeitura de Aracaju.