Esporte

Administração do handebol mudada



Conselho de Administração e Ouvidoria colhem frutos e ajudam a transformar administração do Handebol

Carlos Brum, presidente do COAD, e o ouvidor Wilson Vespasiano Júnior falam sobre os desafios e as conquistas no trabalho junto ao comando da CBHb

Da Redação, Santo André (SP) – Atenta aos anseios da sociedade brasileira e de toda a comunidade esportiva, a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) vem, nos últimos anos, buscando se adequar às tendências administrativas mais modernas a fim de mostrar transparência e atingir mais eficiência em seu trabalho para o desenvolvimento da modalidade.

Duas dessas ações já colhem frutos no dia a dia da entidade. O Conselho da Administração (COAD) e a Ouvidoria têm auxiliado nas discussões, nas tomadas de decisões e no aprimoramento das ferramentas de governança.

O COAD, por exemplo, elaborou a proposta para uma importante mudança no estatuto da CBHb, aprovada no início do ano. O número de atletas com direito a voto nas eleições saltou de um para nove, e o de clubes cresceu de um para cinco.

Nesta entrevista, Carlos Brum, presidente do Conselho de Administração, e Wilson Vespasiano Júnior, ouvidor da confederação, destacam as principais ações dos dois órgãos e avaliam suas atuações.

Carlos Brum, presidente do COAD

A CBHb vem  aprimorando seu modelo de governança desde 2014. Quais os avanços até aqui e quais os desafios a partir de agora?

As primeiras ações foram voltadas as próprias funcionalidades do Conselho de Administração, suas relações com todos os setores e um olhar mais direto para os normativos da CBHb, principalmente no aprimoramento do estatuto. Os desafios ainda são muitos, o conceito de governança deve ser disseminado entre todos nossos interlocutores, e aprimoramentos sempre se farão necessários. Temos como missão restabelecer a confiança e a credibilidade da CBHb perante toda a sociedade e seguir colaborando para que nosso handebol se firme definitivamente como uma potência mundial. Deve ser ressaltado que o Conselho atua de forma colegiada, com ênfase na definição de políticas estratégicas e no seu acompanhamento/controle. Com isso, libera a presidência e Diretoria-Executiva para as tarefas do dia a dia.

O senhor acredita que esse modelo de gestão facilita a busca por patrocinadores?

O principal objetivo não é este. Temos por obrigação manter a casa arrumada, mas claro que a partir dessa arrumação o diálogo com toda comunidade com a qual o handebol se relaciona fica facilitado, incluído aí, além dos patrocinadores, os atletas, clubes, parceiros fornecedores, colaboradores, técnicos, árbitros e a sociedade de forma geral.

Com a implantação do COAD o papel do presidente da instituição perde força?

Não é bem assim. Com o COAD, a organização naturalmente passa a ter uma clara divisão de responsabilidades, sendo uma estratégica e outra executiva. Mas elas devem estar muito bem alinhadas. Na última Assembleia Geral, no início do ano, foram aprovadas medidas que fortalecem a posição executiva.

Qual a relevância dos Comitês de Ética e Esportivo no apoio ao Conselho de Administração?

O COAD tem uma missão de dar perenidade e segurança à organização, e determinados temas são relevantes nessas questões. O Comitê Esportivo, de cunho mais técnico, deve ter em seu quadro pessoas ligadas ao esporte com a finalidade de levar questões mais técnicas ao Conselho. Já o de Ética visa estabelecer diretrizes e ações a fim de garantir que todos da organização tenham uma conduta ética e que a imagem da organização não corra risco.

Como senhor vê a figura  do ouvidor da CBHb na melhoria da relação com os seus stakeholders?

A ouvidoria deve ser um canal estratégico da organização para dialogar com a sociedade em geral. O Handebol se tornou uma potência esportiva com grande participação em todo o Brasil e com grande interesse em geral. A transparência como um dos pilares da governança se faz presente e necessária com a ouvidoria.

O que destacaria do trabalho do COAD até agora?

Temos trabalhado na implantação de uma organização com decisões estratégicas, colegiadas e pelo aprimoramento do estatuto. Ainda há muito trabalho pela frente.

Wilson Vespasiano Júnior, ouvidor

Qual é a importância da existência de um ouvidor para a CBHb e para a melhoria das relações com os stakeholders?

Acredito que essa ferramenta de governança é muito importante, principalmente por ser um canal onde todos podem se manifestar. A evolução disso é importante, e vejo a CBHb como uma das inovadoras nesse processo dentre as confederações esportivas. A relação com os diversos stakeholders é fator determinante, e o resultado até agora tem sido satisfatório.

Como tem sido a atuação da ouvidoria no sentido de melhoria dos padrões de transparência e de segurança das atividades, órgãos e serviços auxiliares da entidade?

Nesse aspecto, acho que evoluímos muito. As manifestações estão sendo tratadas com a maior clareza possível, naquilo que é pertinente à modalidade. Internamente o resultado tem sido bom.

Quais os principais desafios de um ouvidor?

Como membro certificado pela ABO (Associação Brasileira de Ouvidores) tenho uma busca contínua por ratificar o papel do ouvidor nas confederações esportivas. Defendo o mecanismo de ouvidoria e acho que ele pode ajudar até em tomadas de decisões uma vez que as manifestações recebidas, em alguns momentos, são importantes para o bom andamento da gestão. Há muito a se fazer, mas acho que é um caminho sem volta dentro da esfera esportiva brasileira.

O senhor destacaria algum momento em especial da atuação da Ouvidoria no último ano?

Todos os momentos são importantes. Mesmo as manifestações que têm um grau menor de importância são tratadas da melhor maneira possível. Eu vejo sempre por um lado positivo mesmo aquelas manifestações improcedentes. Talvez aí esteja o grande desafio no último ano de trabalho à frente da Ouvidoria: muitas manifestações não serviram para agregar à modalidade. Mas, mesmo assim, adotei uma postura ética e correlata de responder a contento o nosso público do Handebol.

Como se dá a interação do ouvidor com as pessoas que têm algo a dizer sobre a modalidade e a confederação?

Por meio do nosso site, no canal de OUVIDORIA. As pessoas podem ir lá e se manifestar. Peço aqui que todos os entes da modalidade usem essa ferramenta visando o crescimento do Handebol A CBHb é uma confederação inovadora no processo de ouvidoria, isso é fundamental.

Como tem sido a interação com os fãs da modalidade? O que têm a dizer?

Da melhor maneira possível. Eu sempre busco agregar valor ao nosso produto Handebol como ex-atleta, técnico e dirigente. Sei que a nossa modalidade é diferente, nosso público é fiel, acreditamos no esporte. A troca de informação é super importante dentro desse contexto. A ouvidoria é um canal de manifestação que os amantes da modalidade podem e devem usar buscando sempre melhorar o Handebol.